Para proteger vítimas de violência doméstica, MPAM acompanha aplicação efetiva de monitoramento eletrônico

Para proteger vítimas de violência doméstica, MPAM acompanha aplicação efetiva de monitoramento eletrônico

12 de agosto de 2025 0 Por redação

Ação visa assegurar a implementação da medida protetiva de urgência ao agressor e o fornecimento de dispositivos de segurança à vítima

Com o propósito de prevenir episódios recorrentes de violência doméstica e garantir a segurança das vítimas, o Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) instaurou procedimento administrativo para acompanhar a aplicação efetiva de dispositivos de monitoramento eletrônico em Manaus. A diligência foi determinada pela promotora de Justiça Márcia Cristina de Lima Oliveira.

O procedimento visa responder a uma demanda urgente: reduzir os altos índices de violência doméstica no estado, que posicionam o Amazonas como o 3º nessas ocorrências. A ação tem como objetivo padronizar um fluxo de fornecimento e utilização dos dispositivos de monitoramento eletrônico, assegurando a implementação efetiva, com equipamentos completos e em quantidade suficiente, além de estabelecer um protocolo de atendimento que monitore as vítimas e os agressores.

A 65ª Promotoria de Justiça também delibera que a rede de proteção seja estruturada, a partir de treinamentos e capacitação dos profissionais quanto a utilização e acompanhamento do monitoramento eletrônico.

A promotora Márcia Cristina Oliveira destacou a importância de agilizar a implementação total desses dispositivos, de modo a impedir que crimes de violência doméstica escalonem para atentados contra a vida da vítima.

“O Estado do Amazonas possui um dos mais elevados índices de violência contra a mulher, nas suas mais variadas formas, sejam lesões corporais, vias de fato, injúrias, ameaças, e tantos outras. É necessário resguardar a integridade física e psicológica dessas mulheres imediatamente, concedendo a elas um botão do pânico, um aplicativo para reportar situações de risco ou colocando uma tornozeleira eletrônica no agressor, de forma a evitar que esse crime inicial se transforme em um feminicídio”, comentou.

Como parte do procedimento, a promotora Márcia Cristina, acompanhada da também promotora Karla Cristina da Silva Reis, conduziu uma visita ao Centro de Operações e Controle (COC) da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária do Amazonas (Seap-AM), na última sexta-feira (08/08). O setor é responsável pela monitoração eletrônica de pessoas com tornozeleiras eletrônicas, atendendo apenados em regime semiaberto, liberdade provisória e prisão domiciliar.

Próximos passos

O MPAM solicitou que os Juizados Especializados no Combate à Violência Doméstica de Manaus encaminhem ofícios informando os processos em que houve a imposição de tornozeleira eletrônica e o fornecimento de “botão do pânico” — dispositivo que possibilita o acionamento rápido e discreto da polícia — ou outros aparelhos eletrônicos de segurança, se há fila de espera para colocação de dispositivos ou registros de falta de equipamentos.

A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) também deve enviar, em até dez dias úteis, informações sobre a quantidade de indivíduos que estejam sob monitoramento eletrônico autuados pela Lei Maria da Penha, inclusive casos de feminicídio tentados ou consumados, e quais orientações foram repassadas para as mulheres que receberam “botão do pânico” ou outro dispositivo eletrônico de segurança.

“O procedimento foi instaurado para que não faltem esses equipamentos e se estabeleça um protocolo de atendimento que monitore as vítimas e os agressores. Estamos buscando que toda a rede se estruture de forma organizada, que o agressor seja informado das consequências dos seus atos e a vítima seja bem orientada sobre o uso dos equipamentos de proteção”, declarou a promotora.
Foto: Divulgação/MPAM