Nome e identidade visual fortalecem marcas e viram ativos estratégicos dos negócios
26 de outubro de 2026Com 467,6 mil pedidos de registro de marcas em 2024, Brasil reforça a importância da propriedade intelectual; em Manaus, a Feijoada no Balde transformou uma ideia inovadora em negócio reconhecido e busca proteger sua identidade no mercado
Em um mercado cada vez mais competitivo, ter um bom produto deixou de ser o único requisito para conquistar consumidores e sustentar o crescimento de uma empresa. Nome, identidade visual, posicionamento e reputação são elementos que ajudam a diferenciar negócios, criar vínculos com o público e transformar uma ideia em uma marca reconhecida. Para empreendedores, esses fatores também representam ativos que podem contribuir para a expansão comercial e a valorização do negócio.
Os números da propriedade intelectual ajudam a dimensionar a relevância desse mercado. De acordo com o Anuário Estatístico de Propriedade Industrial do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), o Brasil registrou 467.624 pedidos de marcas em 2024, alta de aproximadamente 9% em relação aos 428.913 registrados em 2023.
A percepção dos consumidores também tem impacto econômico. Um estudo especial do Edelman Trust Barometer, identificou que 92% dos brasileiros entrevistados consideram a reputação e a confiança fatores importantes ou decisivos na escolha de uma marca. O mesmo percentual foi registrado para qualidade e custo-benefício. O levantamento reforça que a construção de uma marca não depende apenas da aparência: ela precisa corresponder às expectativas criadas e entregar uma experiência consistente.
Da inovação à construção de uma marca
A trajetória da “No Balde”, negócio criado em Manaus pelas irmãs Louise Lauschner e Indianara Lauschner, ilustra como a combinação entre inovação, apresentação do produto e estratégia de divulgação pode abrir espaço em um mercado tradicional. Fundada em 2014, a empresa apostou em uma proposta diferente para comercializar um dos pratos mais conhecidos da culinária brasileira: servir feijoada em baldes, em diferentes tamanhos, com foco nas entregas em domicílio.
A escolha da embalagem partiu de uma necessidade prática. Os recipientes precisavam suportar a temperatura da comida e evitar vazamentos durante o transporte. A solução também dialogava com uma expressão popular em Manaus, associada à fartura e a grandes quantidades. Assim, o nome *Feijoada no Balde* conectava o produto à experiência oferecida e facilitava a compreensão da proposta pelo consumidor.
A empresa surgiu antes mesmo da popularização dos aplicativos de entrega e desenvolveu sua operação com pedidos por telefone e redes sociais. A divulgação digital teve papel importante na disseminação da ideia, que chamou a atenção pela apresentação inusitada.
Louise afirma que a empresa foi pioneira no delivery de feijoada em Manaus e começou a operar antes mesmo da chegada do iFood na cidade.
*Nome, reconhecimento e proteção jurídica*
Com a expansão do negócio e a popularização da proposta, a identidade construída pela empresa passou a ter importância que vai além da divulgação do cardápio. O nome tornou-se associado a uma forma específica de apresentar e entregar a feijoada, enquanto a experiência acumulada desde 2014 contribuiu para estabelecer uma relação com os consumidores. Foi então que, para tornar ainda mais com a identidade do povo amazonense, a empresa começou a ser chamada exclusivamente de “No Balde”, apesar de a empresa também possuir o registro de “Feijoada no Balde”.
Para Louise, o pioneirismo faz parte da história da empresa. “A gente foi pioneira no Amazonas em relação ao delivery de feijoada. A gente começou o delivery em Manaus antes mesmo de existir o iFood”, afirma.
“A experiência da Feijoada no Balde mostra como a inovação pode ir além da receita e alcançar o modelo de negócio, a embalagem e a maneira de se comunicar com o público. Ao reunir esses elementos em uma identidade reconhecível, a empresa construiu uma trajetória que ilustra a importância estratégica da marca para o empreendedorismo. “Em um ambiente de concorrência crescente, nosso desafio não é apenas criar algo diferente, mas fazer com que o consumidor reconheça essa diferença, e que nosso negócio tenha condições de proteger e desenvolver o valor construído ao longo do tempo”, explicou Louise.



