Atividades de estimulação cognitiva ajudam a prevenir doenças degenerativas como Alzheimer, em idosos

Atividades de estimulação cognitiva ajudam a prevenir doenças degenerativas como Alzheimer, em idosos

26 de outubro de 2026 0 Por redação

Pintura, jogos e dinâmicas motoras proporcionam estímulo à atenção, coordenação motora e memória

O envelhecimento da população tem sido acompanhado pelo aumento de doenças neurodegenerativas, como Alzheimer e outras condições que comprometem o Sistema Nervoso Central. O alerta é do professor David Fontes, da Afya Faculdade de Ciências Médicas de Manacapuru, que orienta o uso de atividades de estimulação cognitiva como prevenção.

A Doença de Alzheimer é a principal causa de demência no mundo, caracterizando-se por deterioração progressiva da memória, do raciocínio e da capacidade funcional. Conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS), as demências representam uma das maiores causas de incapacidade e dependência entre pessoas idosas, impactando não apenas o indivíduo, mas também familiares e cuidadores.

“Essas patologias manifestam-se por meio do declínio progressivo da memória, alterações nas funções executivas, desorientação espacial e prejuízo na linguagem, reduzindo drasticamente a autonomia funcional e a qualidade de vida do idoso e de seu núcleo familiar”, destaca David Fontes.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) também demonstram crescimento progressivo da população idosa nas últimas décadas. Além disso, segundo o professor da Afya de Manacapuru, no Brasil, o diagnóstico de doenças degenerativas ainda é frequentemente tardio, o que compromete intervenções precoces e estratégias de cuidado integral. 

Nesse cenário, a psicomotricidade ganha relevância por integrar dimensões motoras, cognitivas e afetivas do sujeito. Estudos comprovam que atividades psicomotoras — envolvendo coordenação, equilíbrio, lateralidade e orientação espacial — contribuem para a manutenção das funções executivas e da autonomia funcional em idosos.

Por essas razões, o especialista recomenda atividades de estimulação cognitiva associadas à psicomotricidade, como pintura, jogos cognitivos e dinâmicas motoras. “Essas atividades proporcionam o estímulo simultâneo de domínios como atenção sustentada, planejamento e coordenação motora fina”, explica. “Enquanto a pintura fomenta a criatividade e a evocação de memórias afetivas, os jogos promovem o raciocínio lógico e a socialização”, complementa.

Projeto em Manacapuru

Como forma de educar e orientar o público formado por pessoas acima de 60 anos, alunos do curso de Medicina da Afya de Manacapuru realizaram o projeto “Relembrar é viver: quando a memória falha o cuidado permanece”, sob orientação do professor David Fontes. O público-alvo foram os idosos atendidos na Casa Lar de Sara, no município.

As ações tiveram caráter educativo e preventivo, contemplando orientações sobre saúde do idoso, envelhecimento saudável, prevenção de doenças crônicas, declínio cognitivo e cuidados relacionados à memória.

“Os acadêmicos trabalharam a sensibilização de cuidadores e equipe institucional sobre o reconhecimento precoce das alterações cognitivas, incentivaram estratégias de cuidado humanizado e multiprofissional, além de implementarem atividades práticas e divertidas focadas na estimulação psicomotora para os idosos”, conta o professor.

As atividades envolveram rodas de conversa, uso de materiais didáticos, atividades práticas com foco em psicomotricidade para estimular funções cognitivas e motoras, além de exercícios de orientação temporal e espacial com brinquedos, associação de figuras e repetição de palavras.

A estimulação psicomotora, explica o professor, pode auxiliar na preservação das atividades de vida diária, reduzir o risco de quedas e minimizar sintomas comportamentais associados a doenças degenerativas, como apatia e isolamento social. “Ao promover atividades em grupo, o projeto também fortalece vínculos afetivos e estimula a interação social, ajudando a prevenir essas condições”, enfatiza.

Fotos: Divulgação