Terreiro Ilê Asé Oyá Topé reabre no sábado (31) com cerimônia conduzida por liderança da Casa de Oxumarê (BA)

Terreiro Ilê Asé Oyá Topé reabre no sábado (31) com cerimônia conduzida por liderança da Casa de Oxumarê (BA)

26 de outubro de 2026 0 Por redação

Reabertura em Manaus marca a posse do novo dirigente, celebra 21 anos de iniciação religiosa de Pai Alex Oxoguian e dá continuidade ao legado da Ialorixá Izabel de Oyá.

O Ilê Asé Oyá Topé, terreiro de Candomblé localizado na Rua da Floresta, 62, no bairro Tarumã-Açu, em Manaus, reabre suas portas no próximo sábado (31 de outubro), às 21h. A cerimônia contará com a presença do babalorixá Babá Pecê de Oxumarê, representante da tradicional Casa de Oxumarê, na Bahia, que conduzirá os ritos religiosos para a posse do novo dirigente da comunidade.

A ocasião também celebra os 21 anos de iniciação religiosa de Pai Alex Oxoguian, que assumirá a liderança do terreiro, dando continuidade ao trabalho desenvolvido pela Ialorixá Izabel de Oyá, falecida em 2025.

A reabertura ocorre após a conclusão dos ritos fúnebres conhecidos como axexê, cerimônias que integram as tradições do Candomblé. O momento representa uma etapa importante para o terreiro, reafirmando a continuidade dos fundamentos sagrados, o respeito à ancestralidade e a preservação das tradições religiosas de matriz africana no Amazonas.

Novo ciclo para a comunidade religiosa

A retomada das atividades do Ilê Asé Oyá Topé inaugura uma nova etapa para seus integrantes e para a comunidade do Candomblé no Amazonas. Sob a liderança de Pai Alex Oxoguian, a casa dará continuidade ao trabalho religioso construído por mãe Izabel de Oyá, de quem ele é filho biológico.

Segundo o novo dirigente, a presença do representante da Casa de Oxumarê reforça os vínculos entre comunidades tradicionais de diferentes regiões do país e a importância da transmissão dos conhecimentos religiosos.

“Neste novo momento em que estamos reabrindo o terreiro, Babá Pece de Oxumarê conduzirá os ritos que são necessários e importantes para a continuidade das atividades da casa”, afirma Pai Alex de Oxoguian.

Além de conduzir as cerimônias de posse, Bàbá Pese é uma liderança religiosa cuja presença também favorece a reflexão sobre a preservação dos terreiros como patrimônios vivos, o reconhecimento das autoridades tradicionais e o direito das comunidades de matriz africana de manter e transmitir seus conhecimentos às novas gerações.

Tradição

A presença de Babá Pecê de Oxumarê em Manaus também destaca a trajetória da Casa de Oxumarê, uma das mais tradicionais instituições do Candomblé no Brasil.

Com cerca de 190 anos de história, a casa desempenha um papel relevante na preservação dos saberes ancestrais, das práticas litúrgicas e dos valores comunitários que sustentam as tradições afro-brasileiras.

Reconhecida como Patrimônio Cultural Brasileiro pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a instituição representa não apenas um espaço de culto, mas também um território de memória, identidade e transmissão de conhecimentos entre gerações.

Sua trajetória está ligada à resistência das comunidades de terreiro diante do racismo, da discriminação e da intolerância religiosa, além da defesa da continuidade das tradições que integram a história e o patrimônio cultural do país.

O legado da Ialorixá Izabel de Oyá

Com mais de 45 anos de dedicação à vida religiosa, a Ialorixá Izabel de Oyá construiu uma trajetória marcada pelo compromisso com o Candomblé e pela preservação das tradições de matriz africana no Amazonas.

Sua história é marcada pelo culto aos Orixás, pela dedicação ao sagrado e pela formação de uma comunidade que mantém vivo o legado deixado pela sacerdotisa.

Em 1977, mãe Izabel inaugurou o Terreiro de Ogun Rompe Mata, no bairro Alvorada, em Manaus, dando início a uma trajetória dedicada à espiritualidade e à preservação dos fundamentos religiosos.

Anos depois, em 1992, fundou do Ilê Asé Oyá Topé, representando um novo capítulo em sua caminhada religiosa e na história da comunidade.

Com o passar do tempo, o espaço no bairro Alvorada tornou-se insuficiente para acolher as necessidades do terreiro. Posteriormente, conforme a tradição religiosa da casa, a orientação dos Orixás conduziu mãe Izabel de Oyá à escolha de um novo local, para onde a comunidade foi transferida.

O terreiro está atualmente situado no bairro Tarumã-Açu, onde inicia uma nova etapa de sua história. Com a posse de Pai Alex de Oxoguian, a comunidade reafirma seu compromisso com a continuidade dos ensinamentos da antiga dirigente e com a preservação da herança religiosa transmitida ao longo das gerações

Fotos: Divulgação