Em Coari, 4º Encontro de Assessoria e Formação do ALFA-EJA Brasil destaca a EJA e o direito de viver em plenitude
27 de agosto de 2026Programação percorre os 15 municípios do Norte e Nordeste, contemplados pelo Projeto, com pautas sobre Educação de Jovens, Adultos e Idosos (EJA), dignidade, trabalho, saúde, sustentabilidade e projetos de vida
A Educação de Jovens e Adultos (EJA) esteve no centro dos debates e da troca de experiências em Coari, no interior do Amazonas, durante o 4º Encontro Presencial de Assessoria e Formação do Projeto ALFA-EJA Brasil. Com o tema “A EJA e o Viver em Plenitude”, a programação ocorreu nos dias 17 e 18 de agosto e reuniu gestores da EJA, equipes pedagógicas, professores, educadores populares e representantes de movimentos sociais. O objetivo principal foi refletir sobre a contribuição da educação para a dignidade humana, o sentimento de pertencimento, a participação social, o bem-estar e a construção de novas perspectivas de vida.
Coari é um dos 15 municípios contemplados pela iniciativa, que promove os encontros entre agosto e início de setembro em localidades do Norte e Nordeste, incluindo Belém (PA), Oiapoque (AP), Carauari (AM), Fortaleza (CE), Caucaia (CE), Icapuí (CE), Alto do Rodrigues (RN), Conde (BA), São Francisco do Conde (BA), Araçás (BA), Brejo Grande (SE), Santa Luzia do Itanhy (SE), Ipojuca (PE) e Cabo de Santo Agostinho (PE). Ao descentralizar a formação, o projeto fortalece as redes locais de ensino e amplia a troca de saberes entre diferentes territórios e realidades.

EJA e a construção de uma vida em plenitude
O tema gerador “A EJA e o Viver em Plenitude” orienta a próxima etapa das formações presenciais e a distância do Projeto ALFA-EJA Brasil. A proposta parte da compreensão de que o direito à educação está relacionado a outras dimensões da vida, como o direito à convivência, à participação social, ao trabalho digno, ao cuidado consigo, com os outros, com o planeta e com o mundo.
A formação está organizada em dois temas estruturantes. O primeiro, “A EJA, os territórios e a vida em comunidade”, aborda os territórios educativos, as identidades e o pertencimento; as culturas, as memórias e os saberes comunitários; a participação social e o fortalecimento dos vínculos comunitários; e a educação popular como caminho para a transformação social.
Já o segundo, “A EJA e a construção de projetos de vida em plenitude”, propõe reflexões sobre o direito à educação ao longo da vida, trabalho e renda, economia solidária, dignidade humana, saúde integral, bem-estar, educação ambiental, sustentabilidade, permanência, aprendizagem significativa e sucesso educativo.
Práticas que nascem nos territórios
A programação foi organizada para valorizar as experiências desenvolvidas por educadores e educadoras nos próprios territórios. Entre as atividades previstas estão o Seminário de Práticas em diálogo com a EJA e o Viver em Plenitude, dedicado ao compartilhamento de experiências dos profissionais que atuam na EJA em cada município; a oficina A Vida em Plenitude; e, de acordo com o contexto local, um segundo seminário voltado a práticas de EJA desenvolvidas por outros educadores, em diálogo com os Círculos de Cultura.
Para Sonia Couto, educadora formadora do Projeto ALFA-EJA Brasil, o compartilhamento dessas experiências é também uma oportunidade de aprendizagem coletiva. “Neste encontro, estamos promovendo um Seminário de Práticas, onde temos a oportunidade de fazer uma escuta aprendente e prazerosa sobre o trabalho desenvolvido pelos educadores e pelas educadoras da EJA nos 15 municípios em que o Projeto atua. As práticas relatadas revelam o alto índice de comprometimento dos professores e das professoras, gestores e gestoras e representantes dos movimentos sociais”, afirma.
“Conhecer e compartilhar o trabalho desenvolvido no chão das escolas e nos espaços de atuação dos movimentos organizados da sociedade civil contribui para o fortalecimento do trabalho docente, para o aprimoramento dos processos metodológicos e para o diálogo com a comunidade, de modo a evidenciar os desafios e as potencialidades educativas no território”, complementa a educadora.
Assessoria articula ações e fortalece políticas de EJA
Além das atividades formativas, os encontros incluem momentos de assessoria às Secretarias Municipais de Educação (SME) dos 15 municípios contemplados, com diálogos e encaminhamentos sobre as ações do Projeto que estão em andamento no segundo semestre de 2026. A proposta é aproximar a formação das demandas concretas de cada território e contribuir para o fortalecimento das políticas e práticas de EJA.
O 4º Encontro Presencial de Assessoria e Formação integra o Projeto ALFA-EJA Brasil, desenvolvido pelo Instituto de Educação e Direitos Humanos Paulo Freire em parceria com a Petrobras, e dá continuidade às ações de formação, assessoria e acompanhamento realizadas ao longo de 2026. Ao reconhecer as especificidades de cada território e promover o diálogo entre diferentes sujeitos, o encontro reafirma a EJA como espaço de direito, participação, aprendizagem e construção coletiva de uma vida em plenitude.
Três Encontros Presenciais de Assessoria e Formação para as secretarias municipais de educação
Já houve três Encontros Presenciais de Assessorias e Formações do Projeto ALFA-EJA Brasil. O primeiro aconteceu em setembro de 2025. As atividades apresentaram os resultados da primeira etapa da Leitura do Mundo, promoveram debates, reflexões e momentos culturais, fortalecendo vínculos e alinhando os próximos passos do projeto. Já o segundo encontro, realizado entre março e abril deste ano nos mesmos municípios, teve como tema central a “EJA como Direito Humano: práticas contextualizadas, trabalho e articulação territorial”. Em maio, aconteceu o terceiro encontro, com temáticas sobre diversidade, equidade racial e questões socioambientais. Também aconteceram os primeiros encontros EAD no mês de junho.
Sobre o Projeto ALFA-EJA Brasil
Realizado pelo Instituto de Educação e Direitos Humanos Paulo Freire, em parceria com a Petrobras, o ALFA-EJA Brasil tem como missão promover formações, assessoria pedagógica, oficinas, encontros e ações culturais com foco no fortalecimento da EJA como política pública essencial. A iniciativa busca garantir o direito à educação para pessoas jovens, adultas e idosas e contribuir para o combate ao analfabetismo no país.
Ao longo dos próximos anos, até o final de 2027, o projeto desenvolverá uma série de ações em 15 municípios de forma presencial e a distância, e em 62 municípios de forma online. As principais iniciativas envolvem formações e assessorias pedagógicas para educadores e gestores da EJA, oficinas de leitura e escrita para educandos, o curso online “Como Alfabetizar com Paulo Freire”, com 24 videoaulas inéditas, a produção e distribuição de outros materiais pedagógicos, como cadernos temáticos de formação e podcasts, encontros comunitários, lives formativas e a criação do Centro de Referência da EJA (CREJA), voltado à memória, formação e articulação local.
Fotos: divulgação Projeto ALFA-EJA Brasil



