Projeto de Amom Mandel que garante punições mais rígidas para crimes de racismo avança na Câmara dos Deputados

Projeto de Amom Mandel que garante punições mais rígidas para crimes de racismo avança na Câmara dos Deputados

25 de agosto de 2025 0 Por redação

A proposta altera o código penal para proibir a possibilidade de acordos de não persecução penal em casos de racismo

Crimes raciais poderão passar a ter punições mais rígidas caso seja aprovado o projeto de lei que proíbe a aplicação de medidas alternativas em situações de racismo. A proposta foi aprovada na última semana na Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara dos Deputados e contou com a contribuição do deputado federal Amom Mandel (Cidadania-AM), autor do PL 3929/2024.

Apresentado em outubro de 2024, o projeto de Amom propõe a alteração do Código de Processo Penal, de 1941, para vedar expressamente a utilização do acordo de não persecução penal em casos de crimes raciais. Esse tipo de acordo, previsto no artigo 28-A do código, permite que o Ministério Público proponha ao investigado o cumprimento de certas condições para evitar a instauração de processo judicial, funcionando como uma alternativa à persecução penal tradicional.

A proposta também alcança outros mecanismos, como a transação penal e a suspensão condicional do processo, formas de negociação processual que, se aplicadas, poderiam reduzir a efetividade da punição desses crimes.

“A lei precisa deixar claro que esse tipo de prática não cabe em acordos que aliviam a punição. Quem comete tem que responder de forma exemplar perante a Justiça. Só assim a gente garante que esse crime seja levado a sério, que a vítima seja respeitada e que a sociedade tenha um recado firme de que o Brasil não vai tolerar nenhum tipo de violência”, justificou o parlamentar.

“Não pode ser tratado como crime menor”

O texto aprovado pela comissão foi um substitutivo apresentado pela relatora, a deputada Erika Kokay (PT-DF). Ela defendeu que a legislação precisa ser clara ao afirmar que o racismo não pode ser relativizado ou tratado como um crime de menor gravidade, destacando que “o racismo é incompatível com políticas de redução de punições” e que a medida é essencial para consolidar uma sociedade democrática, justa e que respeite a dignidade humana.

Com a aprovação na Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial, a proposta segue para a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), onde será analisada quanto à sua constitucionalidade e juridicidade. Caso avance, será apreciada pelo Plenário da Câmara dos Deputados e, posteriormente, pelo Senado Federal, antes de seguir à sanção presidencial.


Foto: Divulgação