Com atuação do MP, Justiça autoriza transferência de presos da delegacia de Eirunepé para Manaus

Com atuação do MP, Justiça autoriza transferência de presos da delegacia de Eirunepé para Manaus

12 de maio de 2026 0 Por redação

Medida sucede denúncias do parquet sobre superlotação, precariedade estrutural e fuga registrada na unidade policial

A Justiça do Estado, após atuação conjunta do Ministério Público do Amazonas (MPAM), da Polícia Civil e demais forças de segurança do Eirunepé, determinou a transferência de dezenas de custodiados provisórios e definitivos da 7ª Delegacia Interativa de Polícia (DIP) de Eirunepé para unidades prisionais da capital.

O pedido de transferência foi formulado pela Polícia Civil de Eirunepé, diante da situação crítica enfrentada pela unidade policial, e contou com total apoio do MPAM, por meio da procuradora-geral de Justiça (PGJ) Leda Mara Albuquerque e da Promotoria de Justiça de Eirunepé — que acompanha de forma contínua as condições estruturais da delegacia e a situação carcerária do município —, além da prefeitura local.

A decisão foi proferida nesta segunda-feira (11/05) pela juíza Sabrina Cumba Ferreira, titular da 2ª Vara de Execução Penal de Manaus, após serem constatadas condições precárias de funcionamento da unidade policial, incluindo problemas estruturais, superlotação e ausência de condições mínimas de segurança e salubridade.

Ao autorizar a transferência, a magistrada destacou que a Delegacia de Eirunepé enfrenta cenário crítico, com dificuldades estruturais e operacionais agravadas pelas limitações logísticas do interior do Amazonas. A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) também se manifestou favoravelmente à remoção dos custodiados para Manaus, apontando que a capital possui melhor aparato de segurança, assistência à saúde, equipe técnica especializada e programas de ressocialização.

A medida terá validade inicial de 180 dias e contempla dezenas de presos provisórios custodiados na unidade policial de Eirunepé.

A atuação do MPAM ocorre dentro de um trabalho contínuo de fiscalização das condições da delegacia e da situação carcerária do município. Em janeiro deste ano, o promotor Cláudio Moisés Rodrigues Pereira realizou inspeção conjunta com o Poder Judiciário na unidade policial para verificar as reformas em andamento e as condições dos presos custodiados no local.

À época, o MPAM informou que a atuação ministerial em 2025 contribuiu diretamente para o início das obras emergenciais na delegacia.

“O Ministério Público acompanha de perto a situação da Delegacia de Eirunepé desde 2023. Ao longo desse período, adotamos diversas medidas judiciais e extrajudiciais para tentar corrigir os problemas estruturais, reduzir a superlotação e garantir condições mínimas de segurança e dignidade, tanto aos custodiados quanto aos servidores que atuam na unidade”, destacou o promotor.

Linha do tempo

  • 2023 – O MPAM ajuizou ação civil pública (ACP) solicitando medidas urgentes para a carceragem da Delegacia de Eirunepé, incluindo a transferência de presos condenados para unidades prisionais adequadas, realização de obras emergenciais, além da designação de servidores específicos para custódia dos internos.
  • 2024 – Durante inspeção ministerial, o MP identificou cenário considerado preocupante na unidade policial, com superlotação, deterioração da estrutura física e risco à segurança dos custodiados, servidores e da própria população. Na ocasião, o órgão informou que articulava, junto à Seap e à Vara de Execuções Penais, a transferência de presos para Manaus como forma de reduzir a superlotação e garantir melhores condições de custódia.
  • 2025 (outubro) – A Justiça do Amazonas também acolheu pedidos formulados pelo Ministério Público em ACP e determinou que o estado promovesse a reforma estrutural completa da delegacia, além da transferência de presos provisórios e definitivos da unidade.
  • 2026 – O MPAM já havia conseguido autorização judicial para a transferência de presos custodiados: em decisão proferida no dia 28 de janeiro de 2026, a Justiça deferiu pedido de transferência de quatro detentos para unidades prisionais da capital, reconhecendo a inexistência de estabelecimento prisional adequado no município e as condições insalubres da custódia local. Na ocasião, o Ministério Público se manifestou favoravelmente à medida, ressaltando que as unidades da capital possuíam melhores condições estruturais e de segurança para receber os internos.

Entretanto, apesar da autorização judicial concedida ainda em janeiro, a transferência não foi efetivada integralmente, mantendo a delegacia sob forte cenário de superlotação e vulnerabilidade estrutural. O contexto acabou culminando na fuga registrada no último fim de semana na unidade policial de Eirunepé, episódio que reforçou a preocupação já manifestada pelo Ministério Público quanto aos riscos decorrentes da permanência de presos em um espaço sem condições adequadas de custódia e segurança.


Foto: Divulgação/MPAM