Após denúncias da Defensoria, Comitê de Saúde define medidas para melhorar assistência oncológica no Amazonas

Após denúncias da Defensoria, Comitê de Saúde define medidas para melhorar assistência oncológica no Amazonas

30 de outubro de 2026 0 Por redação

Encaminhamentos incluem contratação emergencial de oncologistas e possível acordo para que a Fcecon responda às demandas da instituição em até dez dias

A partir do ofício enviado pela Defensoria Pública do Amazonas (DPAM), o Comitê Estadual de Saúde do Amazonas discutiu, nesta quinta-feira (29/10), a política oncológica do estado. O encontro ocorreu no Fórum Cível Des. Euza Maria Naice de Vasconcelos, no bairro São Francisco, zona sul de Manaus.

Entre os encaminhamentos estão a contratação emergencial de oncologistas para atender pacientes e a possível assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), por meio do qual a Fundação Centro de Controle de Oncologia (Fcecon) se comprometeria a responder às demandas da Defensoria em até dez dias.

Além da Defensoria, participaram da reunião a juíza de Direito da Vara da Fazenda Pública de Saúde do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), Etelvina Lobo Braga, e representantes do Ministério Público (MPAM), da Procuradoria-Geral do Estado (PGE) e da Fcecon.

O defensor público e coordenador do Núcleo de Defesa da Saúde (Nudesa), Arlindo Gonçalves, explica que, desde 2024, há dificuldades para resolver de forma administrativa e rápida as demandas de pacientes com câncer em Manaus, devido à falta de respostas oficiais.

“O problema é que os ofícios não vêm sendo respondidos a tempo. Às vezes, o paciente está com a quimioterapia interrompida há um mês, nos procura e tentamos resolver administrativamente, mas, sem respostas, não conseguimos”, detalhou.

A expectativa é que o TAC seja assinado na próxima semana, no âmbito da Ação Civil Pública ajuizada pela Defensoria contra o Estado sobre o assunto.

“Vamos aguardar a publicação, mas, por enquanto, a Defensoria Pública segue judicializando todas as demandas oncológicas que chegarem, na esperança de que o Estado consiga se organizar para atender a esse vácuo assistencial”, declarou Arlindo.

Durante a reunião, a Fcecon também se comprometeu a realizar a contratação emergencial de médicos oncologistas da rede privada para atender pacientes que aguardam consultas necessárias à continuidade do tratamento.

Para o defensor, a medida ajuda, mas não resolve o problema, considerando o alto volume de reclamações sobre procedimentos oncológicos que a Defensoria vem recebendo nos últimos meses.

“É importante destacar que não há problema apenas na falta de consultas oncológicas. Existem demandas relacionadas à radioterapia, à quimioterapia, a cirurgias desmarcadas e a procedimentos que demoram a acontecer. Então, seguiremos dando respostas a esses pacientes”, afirmou.

Ação para pacientes oncológicos

Diante da alta demanda, a Defensoria realizará uma ação de atendimento exclusivo para pacientes oncológicos no dia 7 de novembro, na Rua Bartolomeu Bueno da Silva, s/n, bairro Dom Pedro, zona centro-oeste de Manaus. A iniciativa oferecerá orientação jurídica e encaminhamentos para casos envolvendo pacientes com câncer.


Fotos: Divulgação DPAM