MPAM ajuíza ação civil pública para implantação de abrigo temporário para animais abandonados em Manaus

MPAM ajuíza ação civil pública para implantação de abrigo temporário para animais abandonados em Manaus

29 de maio de 2026 0 Por redação

Procedimento aponta aumento de casos de maus-tratos, abandono e riscos à saúde pública decorrentes da ausência de política estruturada de acolhimento animal

O Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM), por meio da 53ª Promotoria de Justiça Especializada na Proteção e Defesa do Meio Ambiente e Patrimônio Histórico (Prodemaph), ajuizou ação civil pública (ACP) com pedido de tutela de urgência para que o Município de Manaus e o Estado do Amazonas implementem um Centro de Acolhimento Provisório para animais domésticos em situação de abandono e vulnerabilidade na capital amazonense.

Assinada pelo promotor de Justiça Carlos Sérgio Edwards de Freitas, titular da 53ª Prodemaph, a ação aponta que o abandono de cães e gatos nas ruas de Manaus alcançou níveis alarmantes, com impactos diretos na saúde pública, no meio ambiente urbano e na proteção animal. O procedimento destaca o aumento expressivo de denúncias e registros de maus-tratos, além da inexistência de estrutura pública adequada para acolhimento e tratamento dos animais resgatados.

Conforme a ACP, dados da Delegacia Especializada em Crimes contra o Meio Ambiente (Dema) indicam que os casos de abandono de animais passaram de 219 em 2024 para 510 em 2025, representando um aumento de 133%. O documento também menciona crescimento nos registros de crimes de poluição e maus-tratos, além de procedimentos relacionados a animais abandonados em vias públicas e residências insalubres.

O MP sustenta que a ausência de um centro de acolhimento compromete ações de controle populacional, castração, vacinação e adoção responsável, agravando problemas sanitários e favorecendo a disseminação de zoonoses. No despacho, a 53ª Prodemaph destaca ainda que organizações da sociedade civil e protetores independentes atuam de forma limitada diante da falta de suporte estrutural do poder público.

Pedidos

Na ação, o Ministério Público requer que a Justiça determine, em caráter liminar, a apresentação de um plano de implementação do Centro de Acolhimento Provisório para Animais, incluindo cronograma, previsão orçamentária e definição de responsabilidades técnicas. Entre os pedidos estão a criação de equipe multidisciplinar, manutenção de cadastro atualizado dos animais acolhidos e implantação de programas permanentes de castração, vacinação e adoção responsável.

Segundo o promotor de Justiça Carlos Sérgio Edwards de Freitas, a criação do abrigo representa uma medida necessária para enfrentar o problema de forma estruturada e permanente. “A ausência de um espaço público adequado para acolhimento provisório de animais abandonados perpetua situações de maus-tratos, amplia riscos à saúde pública e compromete a efetividade das políticas de proteção animal. A implantação do centro é uma medida essencial para garantir dignidade aos animais e assegurar uma resposta concreta do poder público a um problema que afeta toda a coletividade”, afirmou.

A ACP também pede a condenação dos entes públicos ao pagamento de indenização por danos morais coletivos, com recursos destinados ao Fundo Estadual do Meio Ambiente, além da obrigação de garantir transparência e fiscalização pública das atividades do abrigo.


Foto: Magnific