Maracatu Pedra Encantada celebra 10 anos com oficinas gratuitas em Manaus
25 de março de 2026A atividade é realizada aos sábados na sede da CUFA
O Maracatu Pedra Encantada dá início a um novo ciclo de oficinas gratuitas de Baque Virado, marcando as ações em celebração aos 10 anos de atuação do grupo na cidade, completados em 2026. As atividades ocorrem aos sábados, das 17h às 19h, na sede da Central Única das Favelas (CUFA), na Avenida Joaquim Nabuco, nº 2274, no Centro da capital.
As oficinas são abertas ao público e voltadas tanto para iniciantes quanto para pessoas com experiência em percussão.

Fundamentos
Fundado em 2016 por Erika Tahiane e Marcelo Rosa, com o objetivo de preservar e difundir tradições de matriz africana, o grupo mantém uma linhagem direta com a Nação de Maracatu Porto Rico, de Recife (PE), uma das mais tradicionais do país, com 106 anos de atuação.
A relação garante que os conhecimentos compartilhados nas oficinas respeitem os fundamentos e os toques do maracatu de baque virado. A partir dessa conexão, o grupo também promove o intercâmbio cultural entre as regiões Norte e Nordeste, fortalecendo vínculos entre os territórios.
Durante os encontros, é trabalhado o baque virado a partir de tambores, caixas, agbês, atabaque e gonguê, instrumentos que compõem a base da técnica. A prática reúne as loas (músicas do maracatu), marcadas pela cadência e pelas viradas rítmicas conduzidas pelos tambores, que organizam o ritmo do cortejo de rua. Ela integra música, corpo e tradição, sendo transmitida de forma coletiva entre os integrantes.
Trajetória
Desde a sua fundação, o Maracatu Pedra Encantada atua na ocupação de espaços urbanos por meio da arte, reunindo diferentes públicos em torno da cultura popular. Ao longo da trajetória, oficinas, reuniões e apresentações foram realizadas em ruas, praças, espaços culturais dissidentes e nos Prosamins do centro de Manaus.
Mas foi em 2025 que o grupo encontrou, na CUFA, um espaço fixo para suas atividades. A parceria marcou um novo momento para o Pedra Encantada, que passou a realizar oficinas de forma contínua no local, além de contar com a estrutura adequada no armazenamento e na manutenção dos instrumentos. A aproximação foi articulada pelo rapper e agente cultural Dacota MC, responsável pelo núcleo cultural da instituição.
A parceria também se estende à participação do grupo em diversas ações da CUFA, como a última Expo Favela, realizada no Centro de Convenções Vasco Vasques em 2025, além do envolvimento nas reuniões e atividades promovidas pela organização.
Além do Pedra Encantada, outros grupos culturais e iniciativas de periferia também encontram espaço na CUFA, que desenvolve uma série de ações voltadas à comunidade. Entre elas, está a Caravana do Bem, que oferece mensalmente serviços gratuitos, como atendimentos médicos e doações de alimentos e de brinquedos para crianças. Na sede, também ocorrem atividades como aulas de jiu-jitsu, jazz, break dance e hip hop, fortalecendo o espaço como um polo de formação e acesso à cultura na cidade.
É nesse contexto de troca e construção coletiva que o grupo chega aos 10 anos de trajetória, carregando uma história marcada por resistência. A parceria com a CUFA representa um fortalecimento desse percurso ao garantir um espaço fixo para ensaios e oficinas, superando desafios antigos relacionados à falta de estrutura. Segundo Erika, essa parceria também contribui para a continuidade das atividades e amplia o acesso à cultura na cidade.
“São 10 anos de caminhada, mantendo viva a tradição do maracatu de baque virado, mas também abrindo espaço para que mais pessoas tenham acesso a essa cultura aqui em Manaus. A gente acredita muito nessa construção coletiva, de aprender junto e valorizar nossas raízes”, destaca Erika Tahiane.
FOTOS: Acervo pessoal do grupo


